quarta-feira, maio 26, 2010
terça-feira, maio 25, 2010
(Shampoo, gel de banho e muita espuma!)
Não é a melhor música de sempre nem é de arrebatar o coração. É o que se quer, harmoniosa, tranquila, inspiradora q.b. Mas este matrimónio de Scarlett Johansson com Pete Yorn não podia ter sido mais bem concebido senão com este clip - enternecedor! Definitivamente é esta a sensação de ver a minha vida conduzida por um videoclip, numa viagem de mim para mim, e, ainda estarrecida, desmultiplicada e feliz, vou adormecer em paz que amanhã é amanhã. E amanhã vai ser bom!
domingo, maio 23, 2010
Weekend in Paris
Devia ser isto que um certo slogan, há uns anos atrás, queria dizer, "venha para fora cá dentro". Assim foi, um fim-de-semana bem lounge, ritmado pela sensualidade agri-doce que inevitávelmente nos reporta a terras do Sr. Sarcozy. Com os Champs Elysées espelhados no tecto do meu quarto, ao fundo, na mesinha de cabeceira, o D.Perignon deu lugar a um cheirinho a lavanda espalhado pela casa, seguindo-se um banho de espuma com a perna cruzada sem pressa e no cair da noite um livro de bolso com vista para o Sena.
Trocando por miúdos, estrelinhas no tecto para adormecer, uma garrafa de água na cómoda, um cheirinho a Verão disfarçado em banhos de água fria que aumentassem a concentração e muitos livros e leis com vista para uma longa época de exames que se avizinha.
Resumindo, este álbum salvou o meu fim-de-semana!
sexta-feira, maio 21, 2010
Original dance
"Mescla o drama, a paixão, a sexualidade, a agressividade, é sempre e totalmente triste. Como dança é "duro", masculino, sem meneios femininos, a mulher é sempre submissa. Nas letras é quase sempre o homem quem sofre por amor, mas a culpa é sempre da mulher. O ritmo é sincopado, tem um compasso binário. A síncope é de uma nota tocada no tempo fraco que se prolonga até um tempo forte, o que movimenta a música e desloca acentuação do ritmo", tudo isto é tango!
segunda-feira, maio 17, 2010
Dia mundial da luta contra a homofobia
Para uma sociedade que já teve a homossexualidade como doença, pecado ou crime, hoje, dia 17 Maio de 2010 é um dia histórico para nós lusitanos. Depois do Tribunal Constitucional ter dado luz verde, finalmente o Sr. Presidente da República Cavaco Silva, ainda que não se coibindo de manifestar o seu desagrado, promulgou o diploma que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Quanto ao seu discurso não vou tecer particulares comentários, mas foi com agrado que vi o veto ir embora espelhando-se nesta decisão um país em crescimento, abrindo caminhos para uma sociedade mais tolerante, menos obscura, com princípios que permitem a aceitação, o respeito e a cidadania. Que este dia sirva como um dia de reflexão para todos os que ainda coadunam com as nódoas sociais a que uma sociedade como a nossa, em pleno século XXI, ainda tem que assistir. Que não seja só mais uma data no calendário, mas sim um passo gigante na caminhada pela evolução, igualdade e justiça social.
domingo, maio 16, 2010
A implosão da mentira
Fragmento 1
Mentiram-me.Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impunemente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacionalmente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eternamente.
Mentem.Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Fragmento 2
Evidentemente a crer
nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo
permanente.
Mentem. Mentem caricatural-
mente.
Mentem como a careca
mente ao pente,
mentem como a dentadura
mente ao dente,
mentem como a carroça
à besta em frente,
mentem como a doença
ao doente,
mentem claramente
como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente,
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem
com a cara limpa e nas mãos
o sangue quente. Mentem
ardentemente como um doente
em seus instantes de febre.Mentem
fabulosamente como o caçador que quer passar
gato por lebre.E nessa trilha de mentiras
a caça é que caça o caçador
com a armadilha.
E assim cada qual
mente industrialmente,
mente partidáriamente,
mente incivilmente,
mente tropicalmente,
mente incontinentemente,
mente hereditáriamente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão bravamente
constroem um país
de mentira
—diáriamente.
Fragmento 3
Mentem no passado. E no presente
passam a mentira a limpo. E no futuro
mentem novamente.
Mentem fazendo o sol girar
em torno à terra medievalmente.
Por isto, desta vez, não é Galileu
quem mente.
mas o tribunal que o julga
heregemente.
Mentem como se Colombo partindo
do Ocidente para o Oriente
pudesse descobrir de mentira
um continente.
Mentem desde Cabral, em calmaria,
viajando pelo avesso, iludindo a corrente
em curso, transformando a história do país
num acidente de percurso.
Fragmento 4
Tanta mentira assim industriada
me faz partir para o deserto
penitentemente, ou me exilar
com Mozart musicalmente em harpas
e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.
Penso nos animais que nunca mentem.
mesmo se têm um caçador à sua frente.
Penso nos pássaros
cuja verdade do canto nos toca
matinalmente.
Penso nas flores
cuja verdade das cores escorre no mel
silvestremente.
Penso no sol que morre diariamente
jorrando luz, embora
tenha a noite pela frente.
Fragmento 5
Página branca onde escrevo. Único espaço
de verdade que me resta. Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjectivo não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.
E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode implosiva.
Affonso Romano de Sant'Anna
Assinar:
Postagens (Atom)


