domingo, fevereiro 20, 2011

Off

Nem vem de garfo que hoje é dia de sopa!

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

A dor de burro

Muito se tem falado no quão rascas, impotentes e passivos, nós, meninos e meninas da década de 80 e seguintes, somos. Há uns dias, transcrevi aqui o que somos e porque somos aos olhos dos outros.
Mas o país não vive só de misérias, ainda há mais que uma tão só "geração parva", por muito que não se fale, em cada dez de nós cinco ainda fazem alguma coisa.

Falo então deste "núcleo de intervenção sócio-cultural" que assina o nome A dor de burro, nascido em Penafiel e que se estréia nestas lides sócio-culturais com a promoção de um concurso de Artes Visuais intitulado de "Mascarar a cidade".
Para todos os interessados em participar ou simplesmente deitarem um olhinho, encontram todas as informações aqui.



sábado, fevereiro 12, 2011

Gérard Castello Lopes

Morreu Gérard Castello Lopes fotógrafo e distribuidor de cinema.
Sou grande admiradora do seu trabalho, sendo este, por sua vez, "discípulo" de um outro grande (e um dos meus favoritos) fotógrafos  Henri Cartier-Bresson.
Aqui fica uma pequena homenagem ilustrada por alguns dos meus trabalhos preferidos deste fotógrafo luso-francês.





quarta-feira, fevereiro 09, 2011

terça-feira, fevereiro 08, 2011

James Dean

Imortalizou-se aos 24 anos, se fosse vivo faria hoje 80, James Dean tornou-se um dos maiores ícones do cinema da geração de 50.
Recentemente vi o seu filme biográfico, onde James Franco faz jus ao seu talento numa personificação exacta do falecido actor. No entanto nem é preciso dizer que o nome de Dean por si só dá-nos logo material mais que suficiente para nos prender do início ao fim. Desde uma infância negligenciada, um estrelato desmesurado, o seu irresistível estilo rebelde e cool,  a um fim tão trágico, a curta vida de James Dean foi sempre no limite.
Não foi um actor da minha geração, mas às vezes penso que podia ter vivido num tempo que não foi o meu...


Mais ou Menos

 Ainda não consegui perceber se gosto do seguinte texto ou não. Revejo-me em algumas coisas, mas também discordo em muitas, não consegui perceber o que faz da mulher, aqui, mulher, ou se não é suposto fazer.
Sou feminista (qb), confesso.. no fundo acho-lhe simplesmente piada!

"O que sempre soube sobre as mulheres:

Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente, mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mãe até que os filhos fazem 10 anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São corajosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse acto de bondade tornam-se mesmo inocentes. Nunca perdem a capacidade de se deslumbrarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Compreendem tudo. Sabem bem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem o passageiro e que o amor é um bom fio condutor. Não são de confiança, mas até a mais infiel das mulheres é mais fiel que o mais fiel dos homens. São tramadas. Comem-nos as papas na cabeça, mas depois levam-nos a colher à boca. A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jantarada de amigos -  elas quando jogam é para ganhar. E é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. Acreditam no Amor com A grande mas, para nossa sorte, contentam-se com pouco"

Rui Zink, 2010

(Descobri este texto através da Sofia,fica desde já um obrigada, no fim não escondo o sorriso malandro!)



domingo, fevereiro 06, 2011

Touareg crazy free spirit

 
Chamam-lhe a "Patti Smith no Norte de África", com esta referência mal não podia começar. Falo de Hindi Zahra, marroquina radicada em França, o que não lhe falta é o mundo na sua voz, as mais diferentes nacionalidades nos seus ritmos, tantas origens na sua inspiração.
"Conheci-a" por acaso e adoro dar-me a conhecer estas coisas, serendipity, obrigada!
Não sei como não a descobri mais cedo, entrou directamente no meu top "gosto muito", a mistura das suas próprias características tornam-na tão poderosa que a rapariga só não chega lá se não quiser. É quente mas suave, tem carisma mas faz por merecê-lo, há um misto de poder e sensualidade que resulta muito bem em Hindi Zahra, resultado disso é o seu primeiro e até agora único álbum, HandMade, que pode ser ouvido gratuitamente no seu myspace de onde destaco Beautiful Tango, At the same time e Imik si mik como prova da sua qualidade.
Ouso mesmo dizer que se quiser não lhe faltará muito para se juntar a cantoras paradigmáticas como Lhasa de Sela, Erykah Badu ou Pj Harvey, daquelas que vêm para fazer a diferença.
Aguardo que volte a Portugal e nos possamos conhecer do palco para a plateia numa das suas grandes performances.



sábado, fevereiro 05, 2011

Geração sem remuneração

Hoje recebi por e-mail, enviado pelo meu pai, o texto abaixo transcrito. Como seria previsível, e como tem sido no decorrer já dos últimos tempos (anos, diga-se...), o jantar centrou-se nisto, enquanto todos falam, todos se defendem, todos se atacam, todos criticam, todos têm uma palavrinha a dar... vim para o quarto ainda a pensar, de quem é a culpa? E acho que ainda assim, apesar de tudo e de todas as preposições de defesa possíveis (da minha geração), a consciência às vezes não me deixa dormir! Mas cá fica o retrato social de alguém mais impacial que eu para falar..

"Quando o FMI chegou pela segunda vez a Portugal, em 1983, eu tinha 26 anos. Num daqueles dias de ambiente pesado, quando havia bandeiras pretas hasteadas nos portões das fábricas da periferia de Lisboa, quando nos admirávamos com ser possível continuar a viver e a trabalhar com meses e meses de salários em atraso, almocei com um incorrigível optimista no Martinho da Arcada. Nunca mais me esqueci de uma sua observação singela: “Já reparaste como, apesar de todos os actuais problemas, a nossa geração vive melhor do que as dos nossos pais? Tenta lembrar-te de como era quando eras miúdo…”
Era verdade: a minha geração viveu e vive muito melhor do que a dos seus pais. E eles já viveram melhor do que os pais deles. Mas quando olho para a geração dos meus filhos, e dos que são mais novos do que eles, sinto, sei, que já não vai ser assim. E não vai ser assim porque nós estragámos tudo – ou ajudámos a estragar tudo. Talvez aqueles que são um bocadinho mais velhos do que eu, os verdadeiros herdeiros da “geração de 60”, os que ocuparam o grosso dos lugares do poder nas últimas três décadas, tenham um bocado mais de responsabilidade. Mas ninguém duvide que o futuro que estamos a deixar aos mais novos é muito pouco apetecível. E que o seu presente já é, em muitos aspectos, insuportável.

Começámos por lhes chamar a “geração 500 euros”, pois eram licenciados e muitos não conseguiam empregos senão no limiar do salário mínimo. Agora é ainda pior. Quase um em cada quatro pura e simplesmente não encontram emprego (mais de 30 por cento se tiverem um curso superior). Dos que encontram, muitos estão em “call centers”, em caixas de supermercados, ao volante de táxis, até com uma esfregona e um balde nas mãos apesar de terem andado pela Universidade e terem um “canudo”. Pagam-lhes contra recibos verdes e, agora, o Estado ainda lhes vai aplicar uma taxa maior sobre esse muito pouco que recebem. Vão ficando por casa dos pais, adiando vidas, saltitando por aqui e por ali com medo de compromissos.
Há 30 anos, quando Rui Veloso fixou um estereótipo da minha geração em “A rapariguinha do Shopping”, a letra do Carlos Tê glosava a vaidade de gente humilde em ascensão social, fosse lá isso o que fosse: “Bem vestida e petulante/Desce pela escada rolante/Com uma revista de bordados/Com um olhar rutilante/E os sovacos perfumados/…/Nos lábios um bom batom/Sempre muito bem penteada/Cheia de rimel e crayon…”
Hoje, quando os Deolinda entusiasmam os Coliseus de Lisboa e do Porto, o registo não podia ser mais diferente: “Sou da geração sem remuneração/E não me incomoda esta condição/Que parva que eu sou/Porque isto está mal e vai continuar/Já é uma sorte eu poder estagiar…” Exacto: “Já é uma sorte eu poder estagiar”, ou mesmo trabalhar só pelo subsídio de refeição, ou tentar a bolsa para o pós-doc depois de ter tido bolsa para o doutoramento e para o mestrado e nenhuma hipótese de emprego. Sim, “Que mundo tão parvo/Onde para ser escravo é preciso estudar…”
É a geração espoliada. A geração que espoliámos.

Sem pieguices, sejamos honestos: na loucura revolucionária do pós-25 de Abril, primeiro, depois na euforia da adesão à CEE, por fim na corrida suicida ao consumo desencadeada pela adesão à moeda única e pelos juros baixos, desbaratámos numa geração o rendimento de duas gerações. Talvez mais. As nossas dívidas, a pública e a privada, já correspondem a três vezes o produto nacional – e não vamos ser nós a pagá-las, vamos deixá-las de herança.
Quisemos tudo: bons salários, sempre a subir, e segurança no emprego; casa própria e casa de férias; um automóvel para todos os membros da família; o telemóvel e o plasma; menos horas de trabalho e a reforma o mais cedo possível. Pensámos que tudo isso era possível e, quando nos avisaram que não era, fizemos como as lapas numa rocha batida pelas ondas: enquistámos nas posições que tínhamos alcançado. Começámos a falar de “direitos adquiridos”. Exigimos cada vez mais o impossível sem muita disposição para darmos qualquer contrapartida. Eram as “conquistas de Abril”.
Veja-se agora o país que deixamos aos mais novos. Se quiserem casa, têm de comprá-la, pois passaram-se décadas sem sermos capazes de ter uma lei das rendas decente: continuamos com os centros das cidades cheios de velhos e atiramos os mais novos para as periferias. Se quiserem emprego, mesmo quando são mais capazes, mesmo quando têm muito mais formação, ficam à porta porque há demasiada gente instalada em empregos que tomaram para a vida. Andaram pelas Universidades mas sabem que, nelas, os quadros estão praticamente fechados. Quando têm oportunidade num instituto de investigação, dão logo nas vistas, mas são poucas as oportunidades para tanta procura. Pensaram ser professores mas foram traídos pela dinâmica demográfica e pela diminuição do número de alunos. Sonharam com um carreira na advocacia, mas agora até a sua Ordem se lhes fecha. Que lhes sobra? As noites de sexta-feira e pensarem que amanhã é outro dia…
E observe-se como lhes roubámos as pensões a que, teoricamente, um dia teriam direito: a reforma Vieira da Silva manteve com poucas alterações o valor das reformas para os que estão quase a reformar-se ao mesmo tempo que estabelecia fórmulas de cálculo que darão aos jovens de hoje reformas que corresponderão, na melhor das hipóteses, a metade daquelas a que a geração mais velha ainda tem direito. Eles nem deram por isso. Afinal como poderia a “geração ‘casinha dos pais’” pensar hoje no que lhe acontecerá daqui a 30 ou 40 anos?

Esta geração nunca se revoltará, como a geração de 60, por estar “aborrecida”, ou “entediada”, com o progresso “burguês”. Esta geração também não se mobilizará porque… “talvez foder”. Mas esta geração, que foi perdendo as ilusões no Estado protector – ela sabe muito bem como está desprotegida no desemprego, por exemplo… –, habituou-se também a mudar, a testar, a arriscar e, sobretudo, a desconfiar dos “instalados”.
Esta geração talvez já tenha percebido que não terá uma vida melhor do que a dos seus pais, pelo menos na escala que eles tiveram relativamente aos seus avós. Por isso esta geração não segue discursos políticos gastos, nem se deixa encantar com retóricas repetitivas, nem acredita nos que há muito prometem o paraíso.
Por isso esta geração pode ser mobilizada para o gigantesco processo de mudança por que Portugal tem de passar – mais do que um processo de mudança, um processo de reinvenção. Portugal tem de deixar de ser uma sociedade fechada e espartilhada por interesses e capelinhas, tem de se abrir aos seus e, entre estes, aos que têm mais ambição, mais imaginação e mais vontade. E esses são os da geração “qualquer coisa” que só quer ser “alguma coisa”. Até porque parvoíce verdadeira é não mudar, e isso eles também já perceberam…"

José Manuel Fernandes, 
Jornal Público - Sexta-feira, 4 de Fevereiro

 

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

O Grito!!!

Releitura de "O Grito", de Edvard Munch

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

De mim sobre os meus

“Escolho os meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Têm que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
(…) Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.

 
Deles não quero resposta, quero o meu avesso.(…) Escolho os meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.(…) Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça
.
 
Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto: e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois vendo-os, loucos e santos, tontos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.”

Oscar Wild

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Ainda há saudade,

haverá sempre..

"Jennifer
... Gostava tanto de ti...

...Foi bonita a cerimónia. Estavas dentro de uma caixa azul. Mais pequena do que o costume. Azul, presumo, porque era a cor dos teus olhos e a cor do mar. O teu pai - imagina - durante a noite pintara no teu caixão os golfinhos de que tanto gostavas. Saltavam felizes os bichos. A teu lado rompiam ondas, e sorriam, só para ti, aquele sorriso enigmático de Gioconda. Percebi então que eras sereia, que o mar e o Céu são o mesmo, e que estavas feliz. Chorei tanto, Jennifer, tanto. Olha, chorei tanto que os teus pais tiveram pena de mim. Verdade! Pegaram-me no braço, beijaram-me na face. E eu, minha querida, perdido. Perdido de dor e de remorso. E de saudade. Não sei se sabes o que é um poço. Um poço é o inferno, o lado de lá da vida. O escuro, a falta de ar. Preciso de sol para gostar da vida. Os teus pais, coitados, puxavam-me para cima e apanhavam bocados de mim, espalhados pelas pedras da igreja...."

                                                "Sinto Muito" de Nuno Lobo Antunes